Henry Selick de volta na Disney e o futuro do stop motion

02/04/2010

Henry Selick está feliz da vida

Henry Selick está voltando para a Disney. Isso me fez lembrar de um dos pontos do debate da última exibição (O Estranho Mundo de Jack, no dia 31 de março), sobre o futuro da animação. Na hora, chegamos à conclusão de que o futuro é de surgimento de novas técnicas e de muita diversidade. Agora, com essa notícia, podemos reafirmar que o stop motion, definitivamente, tem sobrevida garantida.

Com bastante sucesso de bilheteria, O Estranho Mundo de Jack, de 1993, fez com que a Disney apostasse na técnica e em Henry Selick. Mas, após o “fracasso” de James e o Pêssego Gigante, de 1996, a Disney parou de apoiar o stop motion.

A contratação de Henry Selick pela Disney/Pixar, agora, é um impulso pra técnica, que obteve sucesso no ano passado com as animações O Fantástico Sr. Raposo e Coraline e o Mundo Secreto.  Segundo a revista Variety, Selick irá escrever e dirigir filmes com roteiros originais e adaptações literárias. Mesmo trabalhando para um grande estúdio, ele afirma que vai manter seu estilo de sempre, esperando se beneficiar da liberdade criativa e da tecnologia da Pixar.

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Dilema: o que ver/ler primeiro? O livro ou a adaptação pro cinema?

16/09/2009

Na verdade, na verdade, isso nem é um dilema pra mim. Acredito que também não seja pra um monte de gente. Eu escolho ler o livro antes, sempre que der.

Primeiro porque o filme traz mastigadinho algumas coisas pra você, como que cara tem a personagem principal, por exemplo. Por mais que o escritor faça descrições bem detalhistas, nunca as pessoas vão imaginar uma personagem da mesma forma. Mas vai ler o livro depois de ter visto o filme! A gente sempre fica imaginando o mocinho lá com a cara do ator que o interpretou.

Depois porque a adaptação é um olhar de alguém sobre o livro. É um olhar, não é o livro. Vendo primeiro o filme, a pessoa meio que pode ler a obra influenciada pela interpretação alheia.

Quando esse olhar sobre o livro é muito diferenciado do nosso, a gente xinga o filme dizendo que a adaptação é péssima. Às vezes rola isso também porque o cinema é essencialmente um meio de cultura de massa. Assim, muitos realizadores estão comprometidos com a proposta de ter a maior quantidade possível de gente assistindo a seu filme e não se importam tanto em ser “fiéis” à obra original.

Tem adaptação que exclui coisas que os leitores julgam importantes, que muda um pouco (ou um monte) detalhes do desenrolar da história, que dramatiza ou enfatiza coisas que nem eram tão essenciais… E eu digo isso pensando, por exemplo, em Senhor dos Anéis.

E não vamos esquecer também de que se tratam de linguagens diferenciadas, o cinema e a literatura. Tem coisa que não dá mesmo pra sair dos livros e ir pras telas. Simplesmente não funciona quando o livro tem poucos diálogos e muitas reflexões das personagens e do autor. Um exemplo de adaptação que não deu certo por isso é A insustentável leveza do ser.

Uma adaptação não precisa ser estritamente fiel, é claro. E nem consegue ser. Mas às vezes bem que poderia ser mais coerente com o livro do qual está se aproveitando pra conquistar bilheteria. Afinal, quem escolhe filmar Watchmen e Marley e Eu faz isso levando em consideração a quantidade de exemplares que a HQ e o livro já venderam, né não?

Por outro lado, no cinema existem apropriações bem livres de obras literárias que dão gosto de ver. É o caso de Crime Delicado, que será exibido pelo Segunda tem cinema no mês de outubro. Falaremos mais sobre isso no debate então.


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