As Ligações Perigosas*

24/11/2009

Ao longo deste ano, por conta desse projeto, tivemos que ler (ou reler) os livros referentes aos filmes apresentados. Já que trabalharíamos a questão da adaptação, era inevitável que, durante a leitura, pensássemos como seria a nossa versão desta história em filme.

Com o romance epistolar de Chorderlos de Laclos não foi diferente. E a primeira coisa que me veio a mente, já nas primeiras cartas, por conta dos prefácios, foi o formato de documentário falso. O mockumentary. O que tem haver? Já me explico.

No prefácio nos deparamos com uma primeira ressalva. O editor do livro avisa que todas aquelas cartas são ficção, fruto da mente do autor, nada além disso, e que a sociedade da época não permitiria a produção de sujeitos capazes de atos tão vilanescos. O segundo texto, de autoria assumida por Laclos, traz a afirmação oposta. Que ele simplesmente organizou e catalogou as cartas, se restringindo a um ou outro rodapé. No posfácio da edição da LP&M encontramos, ainda, a ressalva de a primeira nota do editor ter sido escrita também pelo próprio Laclos, mostrando que essa desconfiança em relação a procedência do texto pode ter sido intencional.

E enquanto minha idéia de adaptação foi o documentário falso, já que o romance de Laclos brinca com a relação entre real e ficcional, Stephen Frears, o diretor, decidiu por um filme de época. Mas por que, afinal, a escolha desse formato?

A resposta é simples: cada um usa a mesma estória para atingir objetivos distintos. O que fica claro quando se pensa o contexto de produção da época.

Laclos pretendia chocar o povo e desnudar a nobreza, classe que vivia de renda, sem outro fim que não suas vontades. Viviam como crianças grandes e mimadas, buscando, ao mesmo tempo, pecado e redenção. Aquele condenado e este vendido pela igreja católica.

Hoje (e mesmo nos anos 80, quando o filme foi produzido) não há nobreza. Mas ainda existem pessoas que não compreendem como cada ato seu afeta o mundo. Por isso o filme ganha força ao abandonar a proximidade com o real, mantendo as características de filme de época, para se tornar, então, uma alegoria do homem moderno, tão individualista que se interessa mais por si que pelo mundo que o cerca. Alegoria moralista, é importante que se saiba, já que apenas os desviantes confessos são punidos (mais duramente no livro).

E se não é  possível ter acesso às mentes dos tentadores e dos tentados, como nas cartas do livro, é delicioso ver como o filme de Frears transforma, por vezes, várias páginas dessas cartas em uma única frase.

Mas não pense que algo se perde. Nos olhares de John Malkovitch e Glenn Close estão todo o veneno dissimulado do Visconde de Valmont e da Marquesa de Merteuil, ao mesmo tempo em que existe inocência na Senhorita de Volanges da pós-adolescente Uma Thurman e devoção na Presidenta de Tourvel de Michelle Pfeiffer. E se há um porém, como sempre há, ele se chama Keanu Reeves.

*Texto do programa distribuído durante exibição de “Ligações perigosas”, no dia 23 de novembro de 2009.


Curiosidades sobre Ligações Perigosas

19/11/2009
  • Quando As Ligações Perigosas de Chordelos de Laclos foi publicado pela primeira vez, em 1782, foi considerado tão escandaloso que, quando a rainha Maria Antonieta encomendou uma cópia para sua biblioteca pessoal, ela teve que encadernar o livro com uma capa branca para que ninguém reconhecesse o nome do autor ou o título.

    Sarah Jessica Parker como Cécile? Sei não...

  • A jovem Drew Barrymore fez o teste e chegou perto de conseguir o papel de Cécile (interpretado por Uma Thurman).
  • Originalmente, o papel de Cécile foi oferecido a Sarah Jessica Parker, mas ela recusou.
  • A Michelle Pfeiffer foi oferecido o papel de Marquesa de Merteuil no filme Valmont, de Milos Forman, mas ela escolheu interpretar Madame de Tourvel, em Ligações Perigosas de Stephen Frears.

Fonte: IMDb


As ligações de Ligações Perigosas

07/11/2009

Rá! Bom trocadilho, hã? :P

Falando sério, o objetivo desse post é mostrar algumas relações do livro e do filme Ligações Perigosas com outras obras.

Começando pelo filme, a relação mais óbvia é com uma outra adaptação cinematográfica do livro de Chordelos de Laclos, Valmont – Uma História de Seduções, de Milos Forman, lançada em 1989, um ano depois do lançamento da adaptação feita por Stephen Frears. O título original do filme de Forman é Valmont, o que demonstra que a tosquice do subtítulo Uma História de Seduções tem um(a) brasileiro(a) como irresponsável.

O livro de Laclos tem mais adaptações, na verdade. Entre outras, há ainda As Ligações Amorosas, de 1959, e uma mini-série para TV de 2003, intitulada Ligações Perigosas.

Um outro filme relacionado é Segundas Intenções (Cruel Intentions, 1999), uma espécie de atualização para os nossos tempos da intriga criada por Laclos.

Agora uma relação bem legal, feita no blog Jane Austen em Português, é a do livro Ligações Perigosas com Mansfield Park de Jane Austen. Lê aqui que é bacana mesmo.

E aí? Mais alguma ligação para sugerir?


próximo filme: Ligações Perigosas

01/11/2009

O Segunda tem cinema vai exibir no dia 23 de novembro (às 18h30, no miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR) o filme Ligações Perigosas. Confira a ficha técnica e assista ao trailer.

Ficha técnica

Título original: Dangerous Liaisons
Gênero: Drama
Duração:
120 min
Ano de lançamento: 1988
País: EUA / Inglaterra
Estúdio: Warner Bros. / Lorimar Film Entertainment
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Christopher Hampton, baseado em livro de Choderlos de Laclos
Produção: Norman Heyman e Hank Moonjean
Música: George Fenton
Fotografia: Philippe Rousselot
Direção de arte: Gabin Bocquet e Gérard Viard
Figurino: James Acheson
Edição: Mick Audsley
Elenco: Glenn Close (Marquesa de Merteuil), John Malkovich (Visconde de Valmont), Michelle Pfeiffer (Madame de Tourvel), Swoosie Kurtz (Madame de Volanges), Keanu Reeves (Chevalier Dancey), Mildred Natwick (Madame de Rosemonde), Uma Thurman (Cecile de Volanges).

Sinopse:
França, 1788. A Marquesa de Merteuil (Glenn Close) precisa de um favor do seu ex-amante, o Visconde de Valmont (John Malkovich), pois seu ex-marido está planejando se casar com uma jovem virgem e ela deseja que o Marquês, que é conhecido por sua vida devassa e suas conquistas amorosas, a seduza antes do dia do casamento. No entanto, ele tem outros planos, pois planeja conquistar uma bela mulher casada (Michelle Pfeiffer), que sempre se mostrou fiel ao marido e é religiosa. A Marquesa exige então uma prova escrita dos seus encontros amorosos e, se ele conseguir tal façanha, ela lhe promete como recompensa passarem uma noite juntos. Mas os jogos de sedução fogem do controle e os resultados são bem mais trágicos do que se podia imaginar.


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