Listas, listas e mais listas

02/04/2010

Alta Fidelidade foi o segundo filme exibido pelo clube de cinema da UTFPR no ano passado (na ocasião, ainda com o nome Segunda tem cinema). Tão lembrados?

Por conta disso, resolvemos postar aqui no blog todas as listas (aqui, ó, e mais outros trechos realmente bons do “Alta Fidelidade de papel”) que o Rob faz no livro de Nick Hornby.

Daí que o assunto retorna por aqui porque um pessoal resolveu criar o Listal, um site só de listas. Abre parêntese – Ok, o site surgiu em 2005, mas só nos demos conta disso há pouco tempo – fecha parêntese. Vai me dizer que Alta Fidelidade não serviu de inspiração??

Tem lista de tudo quanto é coisa nesse lugar! E qualquer um pode criar a(s) sua(s) própria(s). Aliás, que listas o Terça tem cinema poderia criar, né? Top 5 melhores adaptações de livros para o cinema; top 5 melhores animações; top 5 melhores exibições do clube… Um dia, quem sabe, a gente faz algumas listas e coloca aqui também ;)

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Spike Jonze e Charlie Kaufman, a gente recomenda!

18/12/2009

Gostou de Adaptação, né? A dobradinha Spike Jonze-Charlie Kaufman é bem bacana afinal! Eles estão juntos ainda em Quero Ser John Malkovich. Quer saber o que mais eles fizeram?

Filmografia de Spike Jonze

como diretor:

mais

Filmografia de Charlie Kaufman

como roteirista:

como diretor:

mais


Adaptação*

15/12/2009

O filme “Adaptação” é, por assim dizer, um roteiro original sobre a inadaptabilidade do livro “O Ladrão de Orquídeas”, de Susan Orlean. Isso seria o suficiente para se despertar uma curiosidade acerca do livro: o que ele teria de tão inadaptável?

“O Ladrão de Orquídeas” se apresenta como “uma história real sobre beleza e obsessão”. O ladrão de orquídeas em questão é John Laroche, um homem que foi preso com alguns índios, por ter roubado plantas nativas no sul da Flórida, e que foi julgado por isso. Embora John Laroche seja um personagem interessante – que se apaixona e desapaixona por determinados hobbies com a mesma intensidade – ele, ao contrário do que poderia parecer a princípio, não é a personagem principal da história.

Apesar de falar de flores e de obsessão, a personagem principal acaba sendo a própria autora. “O Ladrão de Orquídeas” é basicamente um livro-reportagem, que conta não só o caso de John Laroche, como também esmiuça o que Susan aprendeu sobre orquídeas naquele período, os seus percalços enquanto fazia essa sua investigação, e, claro, a estranha obsessão que essas flores são capazes de despertar nas pessoas.

E a partir daí, não poderia sair uma adaptação para o cinema? O maior problema, talvez, seja que o livro não segue uma única história. Apesar de começar com o julgamento de John Laroche, ele se aprofunda muito mais nesse mundo quase místico dos apreciadores de orquídeas, com suas feiras, expedições, histórias de roubo, riqueza e obsessão.

A ideia do roteirista Charlie Kaufman para trazer a história de “O Ladrão de Orquídeas” para o cinema se resolveu com uma adaptação não tão literal da obra original. Se lá são mostrados os pormenores da produção do livro, no filme ele mostra o árduo processo de adaptação, e a difícil tarefa da criação de um roteiro, ainda mais desse roteiro, de maneira que captasse a essência do livro.

A falta de um conflito no livro que pudesse resultar em grande efeito no cinema é resolvido ao serem acrescentadas situações originais, que não existiam no livro, e que acabam criando uma tensão maior no filme. Isso acaba resultando em alguns momentos clichês? Sim, mas pode-se dizer que esse efeito é proposital, pois “Adaptação” trabalha muito com metalinguagem (um ponto em comum com “O Ladrão de Orquídeas”), e nos faz mergulhar nesse mundo da produção de roteiros, com seus momentos iluminados, mas também com suas repetições, e com as estranhas obsessões de cada um.

E nesse aspecto das obsessões é que livro e filme encontram seu grande ponto de união.

*Texto do programa distribuído durante exibição de “Adaptação”, no dia 14 de dezembro de 2009.


Curiosidades sobre Adaptação

01/12/2009
  • O filme é baseado na luta do roteirista Charlie Kaufman para adaptar o livro O Ladrão de Orquídeas.
  • Em Portugal, o título do filme foi traduzido para Inadaptado, o que faz muito sentido.
  • Os créditos incluem Donald Kaufman como co-roteirista. Ele também aparece como um dos personagens do filme, e, no fim dos créditos, Adaptação é dedicado “em memória amorosa” (in loving memory) de Donald. Mas Donald é apenas um personagem fictício.
  • Donald Kaufman chegou a ser indicado para um Globo de Ouro com Charlie Kaufman. Os dois também foram indicados ao Oscar e a Academia deixou claro que, em caso de vitória, os dois irmãos teriam que dividir uma estatueta.
  • Em uma cena, Charlie chega em casa e checa sua correspondência. Ele está de frente para um espelho, e Donald está atrás de Charlie falando com ele. O reflexo do fictício Donald Kaufman no espelho é, na verdade, o real Charlie Kaufman.

    Nicolas Cage e Susan Orlean, feliz porque iria aparecer no filme. Aaaaahh...

  • A escritora e jornalista Susan Orlean iria aparecer no filme como uma das duas mulheres que, segundo pensa Charlie Kaufman, estão brincando com a cara dele no supermercado. Mas a cena foi cortada antes de o filme chegar aos cinemas.
  • Em um primeiro momento, Susan Orlean estava preocupada com o fato de que algumas pessoas pudessem achar que a forma como ela foi retratada no filme era correta. Mas então ela foi lembrada de como Charlie Kaufman estava se autorretratando no filme.

Fonte: IMDb


E encerrando a programação 2009: Adaptação

27/11/2009

O Segunda tem cinema vai finalizar a programação 2009 com a exibição do filme Adaptação, no dia 14 de dezembro, às 18h30, no miniauditório do Campus Curitiba. Neste primeiro ano do clube de cinema da UTFPR, o tema escolhido foi obras literárias adaptadas para o cinema. Mas o último filme de 2009, na verdade, não é exatamente uma adaptação. O roteiro surgiu da tentativa frustrada de Charlie Kaufman de adaptar o livro-reportagem O Ladrão de Orquídeas, de Susan Orlean. Veja abaixo ficha técnica e assista ao trailer!

Ficha técnica

Título original: Adaptation
Gênero: Comédia
Duração:
114 min
Ano de lançamento: 2002
País: EUA
Site oficial: http://www.sonypictures.com/movies/adaptation/
Estúdio: Good Machine / Beverly Detroit / Clinica Estetico / Propaganda Films
Distribuidora: Columbia Pictures
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Charlie Kaufman e Donald Kaufman, baseado em livro de Susan Orlean
Produção: Jonathan Demme, Vincent Landay e Edward Saxon
Música: Carter Burwell
Fotografia: Lance Acord
Direção de arte: Peter Andrus
Figurino: Ann Roth e Casey Storm
Edição: Eric Zumbrunnen
Efeitos especiais: Digital Domain / Gray Matters FX / Makeup & Effects Laboratories Inc.
Elenco: Nicolas Cage (Charlie Kaufman / Donald Kaufman), Meryl Streep (Susan Orlean), Chris Cooper (John Laroche), Cara Seymour (Amelia), John Malkovich (John Malkovich), John Cusack (John Cusack).

Sinopse:
Charlie Kaufman (Nicolas Cage) precisa de qualquer maneira adaptar para o cinema o romance “The Orchid Thief”, de Susan Orlean (Meryl Streep). O livro conta a história de John Laroche (Chris Cooper), um fornecedor de plantas que clona orquídeas raras para vendê-las a colecionadores. Porém, além das dificuldades naturais da adaptação de um livro em roteiro de cinema, Charlie precisa lidar também com sua baixa auto-estima, sua frustração sexual e ainda Donald, seu irmão gêmeo que vive como um parasita em sua vida e sonha em também se tornar um roteirista.


As Ligações Perigosas*

24/11/2009

Ao longo deste ano, por conta desse projeto, tivemos que ler (ou reler) os livros referentes aos filmes apresentados. Já que trabalharíamos a questão da adaptação, era inevitável que, durante a leitura, pensássemos como seria a nossa versão desta história em filme.

Com o romance epistolar de Chorderlos de Laclos não foi diferente. E a primeira coisa que me veio a mente, já nas primeiras cartas, por conta dos prefácios, foi o formato de documentário falso. O mockumentary. O que tem haver? Já me explico.

No prefácio nos deparamos com uma primeira ressalva. O editor do livro avisa que todas aquelas cartas são ficção, fruto da mente do autor, nada além disso, e que a sociedade da época não permitiria a produção de sujeitos capazes de atos tão vilanescos. O segundo texto, de autoria assumida por Laclos, traz a afirmação oposta. Que ele simplesmente organizou e catalogou as cartas, se restringindo a um ou outro rodapé. No posfácio da edição da LP&M encontramos, ainda, a ressalva de a primeira nota do editor ter sido escrita também pelo próprio Laclos, mostrando que essa desconfiança em relação a procedência do texto pode ter sido intencional.

E enquanto minha idéia de adaptação foi o documentário falso, já que o romance de Laclos brinca com a relação entre real e ficcional, Stephen Frears, o diretor, decidiu por um filme de época. Mas por que, afinal, a escolha desse formato?

A resposta é simples: cada um usa a mesma estória para atingir objetivos distintos. O que fica claro quando se pensa o contexto de produção da época.

Laclos pretendia chocar o povo e desnudar a nobreza, classe que vivia de renda, sem outro fim que não suas vontades. Viviam como crianças grandes e mimadas, buscando, ao mesmo tempo, pecado e redenção. Aquele condenado e este vendido pela igreja católica.

Hoje (e mesmo nos anos 80, quando o filme foi produzido) não há nobreza. Mas ainda existem pessoas que não compreendem como cada ato seu afeta o mundo. Por isso o filme ganha força ao abandonar a proximidade com o real, mantendo as características de filme de época, para se tornar, então, uma alegoria do homem moderno, tão individualista que se interessa mais por si que pelo mundo que o cerca. Alegoria moralista, é importante que se saiba, já que apenas os desviantes confessos são punidos (mais duramente no livro).

E se não é  possível ter acesso às mentes dos tentadores e dos tentados, como nas cartas do livro, é delicioso ver como o filme de Frears transforma, por vezes, várias páginas dessas cartas em uma única frase.

Mas não pense que algo se perde. Nos olhares de John Malkovitch e Glenn Close estão todo o veneno dissimulado do Visconde de Valmont e da Marquesa de Merteuil, ao mesmo tempo em que existe inocência na Senhorita de Volanges da pós-adolescente Uma Thurman e devoção na Presidenta de Tourvel de Michelle Pfeiffer. E se há um porém, como sempre há, ele se chama Keanu Reeves.

*Texto do programa distribuído durante exibição de “Ligações perigosas”, no dia 23 de novembro de 2009.


próximo filme: Ligações Perigosas

01/11/2009

O Segunda tem cinema vai exibir no dia 23 de novembro (às 18h30, no miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR) o filme Ligações Perigosas. Confira a ficha técnica e assista ao trailer.

Ficha técnica

Título original: Dangerous Liaisons
Gênero: Drama
Duração:
120 min
Ano de lançamento: 1988
País: EUA / Inglaterra
Estúdio: Warner Bros. / Lorimar Film Entertainment
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Christopher Hampton, baseado em livro de Choderlos de Laclos
Produção: Norman Heyman e Hank Moonjean
Música: George Fenton
Fotografia: Philippe Rousselot
Direção de arte: Gabin Bocquet e Gérard Viard
Figurino: James Acheson
Edição: Mick Audsley
Elenco: Glenn Close (Marquesa de Merteuil), John Malkovich (Visconde de Valmont), Michelle Pfeiffer (Madame de Tourvel), Swoosie Kurtz (Madame de Volanges), Keanu Reeves (Chevalier Dancey), Mildred Natwick (Madame de Rosemonde), Uma Thurman (Cecile de Volanges).

Sinopse:
França, 1788. A Marquesa de Merteuil (Glenn Close) precisa de um favor do seu ex-amante, o Visconde de Valmont (John Malkovich), pois seu ex-marido está planejando se casar com uma jovem virgem e ela deseja que o Marquês, que é conhecido por sua vida devassa e suas conquistas amorosas, a seduza antes do dia do casamento. No entanto, ele tem outros planos, pois planeja conquistar uma bela mulher casada (Michelle Pfeiffer), que sempre se mostrou fiel ao marido e é religiosa. A Marquesa exige então uma prova escrita dos seus encontros amorosos e, se ele conseguir tal façanha, ela lhe promete como recompensa passarem uma noite juntos. Mas os jogos de sedução fogem do controle e os resultados são bem mais trágicos do que se podia imaginar.


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