Captar o Mundo (sobre Abbas Kiarostami)

21/06/2011

Se Abbas Kiarostami é um cineasta difícil, isto se deve muito por praticar um cinema da curiosidade. Da sua curiosidade diante do mundo, e da nossa também. Seus filmes parecem partir sempre de uma necessidade de conhecer e se relacionar com o mundo, e o que ele nos pede como espectadores de cinema não é coisa mais simples do que o desejo de acompanhá-lo em sua jornada (e não é por acidente que a maior parte dos seus filmes se constrói como longos percursos).

Em Close-Up um homem se faz passar pelo diretor Mohsen Makhmalbaf, acaba enganando uma família de classe média e depois é preso. Kiarostami se interessa pela história e resolve fazer um documentário sobre o assunto. Leva sua câmera para captar estas pessoas, e mais importante ainda, as convence a reencenar boa parte do ocorrido. No processo da realização do filme, os motivos de todos ficam mais claros e as partes se aproximam; no fim, o impostor chegará até mesmo a conhecer o verdadeiro Makhmalbaf. Close-Up, Kiarostami nos lembra, é um plano que nos aproxima do personagem, porque “de longe, as pessoas desconfiam uma das outras. O close-up cria outra idéia, real, do personagem”1.

Não é à toa que em seu cinema predomine com tanta freqüência o fora de campo e o não-dito. Não veremos a velha senhora em O Vento nos Levará, assim como não saberemos ao fim de A Vida e Nada Mais se o cineasta teve sucesso em sua jornada. Kiarostami prefere confiar em nossa capacidade de imaginar, de completar aquilo que ele apenas sugere. Porque é também numa crença e respeito muito grande pelo espectador que se constrói este cinema.

É assim que se constrói aquele momento mágico em ABC África em que as luzes se apagam e a câmera permanece ligada a filmar o escuro enquanto Kiarostami e sua equipe discutem. Neste momento da ausência da imagem, talvez seja também aquele em que nós espectadores começamos a compreender melhor o que é o universo que Kiarostami aborda e por conseqüência muito do próprio filme.

ABC África não chega a ter a força de Close-Up, obra-prima sobre o cinema que este é, mas colocá-los lado a lado não deixa de ser bastante interessante. Porque num primeiro momento, ABC Áfricaparece um contraponto pessimista do seu documentário anterior. Afinal, se em Close-Up a câmera acaba tendo o poder de intervir, de que nada no julgamento de Ali Hossein Sabdzian não deixa de ser alterado pela sua mera presença, não se pode dizer o mesmo emABC África, onde ela somente registra. Mas isto seria não pôr em consideração tudo aquilo que o cinema de Kiarostami acredita que só se confirma no que esta câmera registra: o mundo, a vida, o sobreviver. ABC África é, de todos os filmes de Kiarostami, o de assunto mais pesado, mas paradoxalmente também é (com a possível exceção de Onde Fica a Casa de Meu Amigo?) o seu trabalho mais acessível, não porque o cineasta fuja de nos confrontar com a realidade à sua volta (a cena onde o pedaço de pano, com um bebê morto dentro, é retirado de um hospital continua ressoando muito depois do filme acabar), mas porque ao reafirmar seu credo como o faz aqui não poderia ser diferente. Cada vez que a câmera de Kiarostami capta uma criança ao longo do filme, a tela do cinema acaba por ser tomada por uma inevitável energia.

Vive-se sempre no cinema de Kiarostami (até mesmo quando seu protagonista é um possível suicida como em Gosto de Cereja), mas para isso é preciso que haja um espaço em que se viva. Daí a importância da geografia nos filmes de Kiarostami. Não é à toa que quando a luz entra na já mencionada cena da escuridão em ABC África, descobrimos que a câmera está apontada para a janela. Da mesma forma, não se capta tantas cenas de paisagens em seus filmes por nada, mas porque é preciso registrar onde as pessoas vivem. Isto fica claro nos seus três filmes sobre a região de Koker (Onde Fica a Casa de Meu Amigo?, A Vida e Nada Mais e Através das Oliveiras), filmes estes que se revelam como reflexões sobre Koker e como se vive ali (os dois últimos foram feitos após um terremoto que arrasou a região e que é lembrado com freqüência pelos moradores). A geografia de Koker não deixa de ser tema dos filmes, algo ampliado em A Vida e Nada Mais e Através das Oliveiras pela forma que ela deixou marcas em cada pessoa que o cineasta encontra.

Tudo isto dito, a grande questão no cinema de Kiarostami é como captar esta vida, este mundo? Como chegar até ele? Como Close-Up nos lembra, não se trata do puro e simples documental como uma leitura pobre do realismo que uma certa crítica burra até hoje propaga. Com toda a simplicidade que a mise en scène de Kiarostami sempre busca, ela nunca é desprovida do artifício como na excepcional passagem de Onde Fica a Casa de Meu Amigo? na qual o protagonista observa um outro garoto (que pode ou não ser aquele que procura) enquanto este segura um volume de madeira que permite que nós vejamos somente sua calça (idêntica àquela que o garoto que está sendo procurado vestia na última vez que o protagonista o viu).

O que Kiarostami acaba por fazer é registrar o encontro das suas idéias, do ponto de partida que ele como cineasta concebeu com este mundo, e desse encontro resultara sempre um filme diferente. Nos percursos de Kiarostami o que se aprende no trajeto é sempre muito mais importante do que a chegada. Da mesma forma, muito da graça e poesia destes filmes reside na forma como as pequenas coisas vão influindo neles.

O que nos faz retornar novamente ao espectador e no profundo respeito que Kiarostami tem por ele. Porque tudo isto que o cineasta faz só tem como se completar com a nossa participação, este segundo encontra agora entre nós e o filme. Porque Kiarostami tem curiosidade em relação ao mundo, e este também nos inclui. Se este cinema nos soa difícil num primeiro instante, será só neste, porque o que Abbas Kiarostami nos pede é algo que quem ama cinema está sempre disposto a dar: o nosso desejo de nos perdermos naquilo que o cinema apresenta.

* * *

Nisso tudo a obra de Kiarostami se insere dentro de uma opção do cinema moderno por uma dissolução da mise en scène, onde o empenho do cineasta se volta em se perder dentro da encenação da relação entre os personagens e seu mundo (pensemos aqui num Pialat ou Cassavetes, por exemplo). Pois bem, eis que surge Dez, o ultimo trabalho de Kiarostami, exibido na Mostra de Cinema de São Paulo do ano passado, para nos deixar ainda mais confusos. Kiarostami vêm buscando uma depuração de estilo desde seus filmes mais antigos aos quais temos acesso. Que Dez leve isto adiante, não é, em si, nenhuma novidade. Só que o que Abbas Kiarostami conseguiu aqui é algo único cuja riqueza não tem como ser apreendida numa única visita, ainda mais no meio de uma mostra de cinema, mesmo que o passar do tempo só enriqueça a lembrança do que é o filme.

Dez não deixa de ser uma espécie de ápice do projeto descrito no inicio do parágrafo anterior. Um carro como espaço, duas câmeras, uma voltada para a motorista e outra para o passageiro, uma longa preparação anterior com os atores (e um microfone escondido que permite que o diretor lhes faça recomendações durante as filmagens, mas nenhum roteiro). 10 conversas que ganham vida diante desta câmera. Apenas isso. Ao cineasta cabe, após a concepção da idéia do filme, somente editar todo o material registrado.

Qual a função do diretor de cinema, nos vemos diante de Dezforçados a perguntar (esta é apenas uma das diversas perguntas que o filme nos leva a levantar)? Especialmente porque assistindo-o não se há por nenhum momento a menor dúvida de que se trata de um filme de Abbas Kiarostami. Se o cineasta à primeira vista quase se exclui do processo da realização de seu filme, tudo o que ele faz não deixa de ser completamente coerente com toda a obra que desenvolveu até ali e o resultado final do que está na tela, a progressão quase natural dela. A penúltima seqüência é de uma força e beleza que não deixa a dever a outros tantos grandes momentos que o cinema de Kiarostami já nos legou.

Apesar de toda a atenção focada no como o filme foi feito, o que interessa em Dez é o que se vê na tela e seu impacto para aqueles que se dispuserem a dialogar com ele. Com Dez, Abbas Kiarostami parece ter conseguindo levar ao limite o seu desejo de captar o mundo.

Texto escrito por Filipe Furtado.

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Close-up

21/06/2011

Filme: Close-up

Título Original: Nema-ye Nazdik
Diretor: Abbas Kiarostami
Ano: 1990
País: Irã
documentário (ou não?)

É necessário parar, pois aqui não se trata de um filme normal. Respire fundo até abrir sua mente para uma nova linguagem.

Este documentário meio ficção parte de um fato curioso ocorrido no Irã. Certo rapaz foi preso por se fazer passar pelo cineasta Mohsen Makhmalbaf (o mesmo de Salve o Cinema). E o que queria o sujeito com seu crime? Não muito, não era um golpista ou coisa do gênero, nada de criminoso. Se passou pelo cineasta pelo simples fato de o terem confundido e pelo prazer de poder ser, por alguns momentos, aquele ídolo que tão bem representa o sofrimento do povo iraniano. Kiarostami não aguentou tamanha tentação e foi atrás do rapaz na prisão. (assista a cena do youtube)

Depois, Kiarostami levou o rapaz para a mesma casa na qual cometeu os crimes e fez com que, tanto o criminoso como as vítimas atuassem em uma representação daquilo que havia ocorrido. E ainda envolveu quem na trama? O próprio Makhmalbaf. Loucura.

Mas que coisa incrível! Que poesia! Kiarostami busca conversar com seu personagem atrás do que motivou aquele crime e só encontra uma grande paixão dele por cinema. No julgamento, o próprio Kiarostami pede permissão para fazer indagações. Adoro esta cena em particular, pois revela algo que comentei no Salve o Cinema, do poder que o cinema iraniano tem em sua sociedade. A tal ponto que a pergunta de Kiarostami é levada em consideração no mesmo peso que a do juiz, que também é entrevistado.

Este caminhar na linha tênue entre a ficção e a realidade me traz muito interesse. Em primeiro lugar porque enaltece o poder do naturalismo. Em segundo lugar porque questiona a necessidade de se qualificar um filme nesses aspectos. Eu costumo colocar em meus filmes – e faço disso uma meta – aquela clássica frase “baseado em fatos reais”, como um selo de qualidade. Ora, a realidade dos fatos não faz de um filme ruim um bom filme. Nem tampouco determina que um filme fantástico não possa ser, em sua essência, mais real do que um filme naturalista. E, afinal de contas, todo e qualquer filme é baseado em fatos reais, por mais fantásticos que esses sejam.

Texto do 100 filmes.

Desvendando Watergate

09/06/2011

Existem outros dois filmes que ajudam a compreender o cenário, são eles Nixon (1995), de Oliver Stone e, Todos os Homens do Presidente (1976), de Alan J. Pakula.

Em “Frost/Nixon”, uma das pessoas que ajudam a preparar o apresentador de TV David Frost para a entrevista com Richard Nixon – a primeira concedida após sua renúncia, três anos antes – diz que a sabatina precisa ser contundente a ponto de se tornar “o julgamento” que o presidente dos EUA nunca tivera pelas acusações do escândalo Watergate.

Como mostra o filme de Ron Howard (o mesmo diretor de “Mente Brilhante”), que estreia no Brasil em 20/2, a entrevista célebre de 1977 acabou desempenhando esse papel simbólico, levando um Nixon (1913-1994) exaltado a confirmar a espionagem no comitê do Partido Democrata com escutas ilegais. Uma frase entrou para o folclore americano: “Se o presidente faz, então não é ilegal”.

A encenação do pingue-pongue entre Nixon e Frost, com seus bastidores, já havia feito sucesso no teatro. O autor, Peter Morgan (“A Rainha”), assina também o roteiro do longa, que emplacou cinco indicações ao Globo de Ouro: filme, diretor, roteiro, ator dramático para Frank Langella (que vive Nixon) e trilha.

Na elogiada versão cinematográfica, a entrevista que serviu como “julgamento” para Nixon levanta outro questionamento nos EUA: estaria levando o ex-presidente à segunda instância, com possível redenção por mostrar seu lado mais humano, em conflito entre a inteligência brilhante e a tendência autodestrutiva?

E isso quando um presidente envolvido em crise econômica e guerra impopular está deixando a Casa Branca? O roteirista titubeia. “Se me preocupo que o público tenha compaixão por um homem autodestrutivo, solitário, perdido? Não sei. Pessoas diferentes terão reações diferentes. Mas o filme não redime ninguém”, diz Morgan, que viu indagações semelhantes no longa sobre a rainha Elizabeth 2ª.

“Eu nunca esperava que pessoas saíssem de ‘A Rainha’ tocadas por ela. Ficamos constrangidos, para ser honesto, com aquele grande entusiasmo sobre a monarquia. Mas não acho que isso acontecerá da mesma maneira, não haverá congestionamento de pessoas se filiando ao Partido Republicano. O filme mostra que, com toda sua humanidade, o legado de Nixon ainda é criminoso”, disse, em mesa redonda em Nova York, com a Folha e mais cinco jornais, em novembro.

O efeito George W. Bush, diz ele, tem mais força na revisão dessa imagem. “A atual administração está fazendo um grande trabalho de reabilitar Richard Nixon, que está sendo substituído como o presidente mais odiado de todos os tempos. Agora, ele é apenas o número dois no ranking [risos].”

Cachê

Frost (vivido no filme peloator por Michael Sheen), notório jet-setter inglês rodeado de mulheres, grifes e fama como apresentador de programas populares de TV, pagou pela exclusividade da entrevista. Garantiu a Nixon US$ 600 mil (US$ 3 mi nos valores de hoje, no cálculo do diretor, ou R$ 6,7 mi), mais 10% dos lucros de publicidade.

Era um cachê generoso para enfrentar um entrevistador que se supunha fraco e fútil, o que justifica o choque quando Frost consegue extrair de Nixon frases que ele não parecia ter planejado dizer, como “decepcionei o povo americano”.

O filme especula sobre as motivações do ex-presidente para desabafar, mas, para Howard, não há na obra nenhuma revisão sobre a figura histórica do republicano, que entrou no Salão Oval da Casa Branca em 1969, foi reeleito e renunciou em 1974.

“A simpatia por um personagem não muda sua imagem histórica, algo que passa por um entendimento mais completo. Nixon era um visionário formidável, mas destruído por suas emoções conturbadas. Não parecia confortável sob a própria pele”, diz Morgan.

Nixon compositor

A família de Nixon demonstrou-se interessada pelo projeto do filme. Os herdeiros concederam entrevistas na fase de pesquisa e autorizaram o uso de uma canção composta pelo ex-presidente ao piano.

Apesar de ter entrevistado seis dezenas de pessoas entre a criação da peça e do filme, em especial membros das equipes de assessores de Nixon e Frost, que rodearam a entrevista, Peter Morgan se deu a liberdade de inventar algumas cenas.

Na principal delas, na véspera do último dia de gravações, Nixon telefona bêbado para Frost e o desafia a ser mais mordaz. Não há relatos de que isso tenha acontecido, mas o roteirista se baseou nos testemunhos de que Nixon, quando em final de mandato, telefonava embriagado para pessoas e depois se esquecia de que o fizera, sob efeito da mistura com moderadores de humor.

“Era algo que ele faria. Pensei que, mesmo que isso não tenha acontecido, dramaturgicamente seria responsável.”

Escrito por DANIEL BERGAMASCO
da Folha de S.Paulo

Para saber mais sobre o caso Watergate é possível ler esta matéria da revista Abril.

Segue abaixo o trailer oficial:


Frost/Nixon

09/06/2011

Direção: Ron Howard.
Elenco: Frank Langella, Michael Sheen, Kevin Bacon, Sam Rockwell, Matthew Macfadyen, Oliver Platt, Rebecca Hall, Toby Jones.
O escândalo Watergate é uma página negra da história americana. Mas ao contrário de outros colapsos que abalaram os Estados Unidos como a Guerra do Vietnã, a crise de 29 ou o assassinato de John Kennedy, esse incidente deu pouco pano para a manga no cinema. Seu exemplar mais conhecido e contundente é “Todos os Homens do Presidente”. O filme lançado em 1976 por Alan J. Pakula disseca os percalços que levaram os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein a desmascarar o presidente Richard Nixon e sua conduta criminosa de solicitar escutas na sede do partido democrata.
Além desse filme, umas poucas menções a Watergate foram abordadas em “Nixon”, de Oliver Stone, e uma paródia ainda foi feita por Robert Zemeckis em “Forrest Gump”. Passados 26 anos do incidente, o diretor Ron Howard (Uma Mente Brilhante) retoma as repercussões do escândalo em Frost/Nixon, num belo trabalho que retrata os bastidores da entrevista do apresentador britânico David Frost com Richard Nixon, três anos após o chefe de estado ter renunciado a presidência. A conversa, gravada em quatro dias diferentes, foi marcada por estratégias e momentos tumultuosos nos bastidores.
Enquanto Nixon pretendia valer-se da sua retórica e fazer da entrevista um trampolim para a renovação de sua carreira política, Frost buscava retornar aos Estados Unidos onde não obteve sucesso com seu programa de variedades. Para isso, teria que fazer com que Nixon admitisse seus erros e explicasse Watergate, assuntos que não vieram à tona no seu discurso de renúncia. O material gerou uma das entrevistas mais vistas da história da televisão e ganhou os palcos antes de ir às telas.
Representando os mesmos papéis da montagem teatral, Michael Sheen – o Frost – e Frank Langella – o Nixon – protagonizam um duelo pessoal pela melhor performance; tão acirrado quanto a própria disputa travada pelos personagens reais no incidente. Na vida real Frost levou a melhor. Na ficção, o Nixon de Langella foi quem ganhou indicação para os festivais, inclusive ao Oscar de melhor ator.
Visto por muitos como um diretor de mão pesada, Ron Howard mostra em Frost/Nixon sua capacidade de surpreender. Se em trabalhos anteriores o cineasta produziu filmes maçantes, nesse ele abriu mão da habitual mesmice burocrática. Filmes políticos são geralmente chatos e tediosos e são bem diferentes do clima eletrizante e da estrutura movimentada do filme que ele concebeu. Para ter esse efeito, colaboram a edição em forma de making-of – com assessores do político e do apresentador narrando os episódios para as câmeras – e a habilidade do diretor atrás das câmeras. Um close-up aqui, outro ali e as lentes vão revelando imagens fortes, onde uma única expressão ou um silêncio embaraçoso são vitais para a compreensão dos fatos.
Nesse aspecto, outro recurso importante é a trilha sonora de Hans Zimmer. É ela, ou a ausência dela, que ambientam o suspense e aguçam o poder das imagens. Mas nada foi mais importante para o mérito do filme do que a caracterização de Langella e Sheen de seus personagens. David Frost é o apresentador de auditório mulherengo e de erudição rasa, mas brilhante na frente das câmeras. E Sheen transparece bem essa essência.
Nos primeiros dias de entrevista ele é engolido pela sabedoria e a imponência sofista de Richard Nixon, um leão ferido, mas sedento para sair da jaula de isolamento que é sua vida fora da vida pública. Uma das cenas mais emblemáticas do filme acontece quando o presidente, embriagado, liga para Frost e desabafa nas vésperas da última gravação: dessa disputa, só um deles vencerá… Não foi fácil para Langella humanizar um dos presidentes mais odiados dos Estados Unidos. E ele conseguiu. É impossível não se compadecer com a derrocada política e até mesmo psicológica de Nixon.
Com tantos adjetivos favoráveis, Frost/Nixon só podia entrar para a safra dos grandes filmes sobre os bastidores da política e da comunicação de massa tais como, “Rede de Intrigas”, “Todos os Homens do Presidente”, “A Montanha dos Sete Abutres” e o recente “Boa Noite, Boa Sorte“. Mesmo não tendo levado nenhuma estatueta das cinco que concorreu no Oscar, faz um recorte interessante de um episódio histórico ainda não apagado na sociedade americana.
Texto escrito por Charles M. Helmich


Terça tem cinema fará exibição extra durante a II Circularte

03/06/2011

Começa na próxima segunda-feira a Circularte – II Semana de Artes na UTFPR, promovida pelo Núcleo de Cultura e Comunicação do Campus Curitiba.

Dessa vez, o Terça tem cinema irá participar com uma exibição no dia 10 de junho, às 18h30, no miniauditório do Campus Curitiba. O filme extra será Frost/Nixon, que tem a ver com o tema do clube de cinema para 2011 (“realidade ou ficção?) e com o tema do evento (arte e comunicação). Apareçam!

Sinopse de Frost/Nixon:
Richard Nixon (Frank Langella) permaneceu em silêncio por três anos após renunciar à presidência dos Estados Unidos. Em 1977 ele concordou em dar uma entrevista, visando esclarecer pontos obscuros do período em que esteve no governo e usá-la para uma possível volta à política. O entrevistador do programa foi o jovem David Frost (Michael Sheen), o que fazia com que Nixon acreditasse que seria fácil dobrá-lo. Entretanto o que ocorreu foi uma grande batalha entre os dois, que resultou em um confronto assistido por 45 milhões de pessoas ao longo de quatro noites.

Programação completa da Circularte


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