Filme de novembro: F For Fake/Verdades e Mentiras, de Orson Welles

31/10/2011

Em novembro, vamos exibir um filme/documentário de Orson Welles sobre falsificação. O que é real e o que é ficção nesse filme? A narrativa abusa da metalinguagem e vai se construindo a partir da própria (negação da) possibilidade de que o documentário sobre falsificação seja, ele também, uma mentira. Mas o que é verdade? O que é mentira? O que é falso? O que é real? O que é ficção?

Na falta de um trailer, publicamos a parte inicial do filme como aperitivo.


Forrest Gump. O Contador de Histórias*

27/10/2011

Na essência, no âmago, no avesso, à mostra, genuíno, natural e de pureza contagiante e admirável, Forrest Gump narra sua trajetória entre transformações da sociedade norte-americana e uma vida simples, ou que deveria ser simples.

Por um caminho no interior do Alabama, Forrest se liberta e corre, corre muito.

Esse não é um filme qualquer, ele é primoroso em todos os seus detalhes.

Logo no início nosso personagem está sentado em um banco de praça, esperando um ônibus. Não se sabe por que ele está lá, mas isso não importa. Ali, Forrest conta sua história, estranha, diversa e inacreditável de tão verdadeira.

Até porque, veja bem, não é fácil acreditar que uma pessoa tenha conseguido virar o que Forrest virou. E ele era considerado um idiota (‘stupid is as stupid does’), o que torna tudo ainda mais irreal. Numa montagem caprichada, repleta de seqüência clássicas e encontros históricos. Nixon, Kennedy, Lennon, Elvis Presley, Martin Luther King, a criação da Apple, o Vietnã e um anti-herói, a intromissão de Forrest nestes momentos da história norte-americana são impagáveis. E como ele conseguiu? Como foi parar lá e por quê?

A pureza de espírito e o amor inabalável pelas pessoas tornam Forrest Gump um personagem tão especial e extremamente bem construído. Ele enxerga o mundo com uma simplicidade desconcertante, pois ele não vê malícia e age apenas de acordo com impulsos mais básicos, físicos e emocionais, e acaba por contagiar a todos com sua inocência. Um anti-herói clássico, impossível de não ser admirado. A ingenuidade e inocência, sua visão delicada e especial da vida, fazem dele alguém que pode ser diferente. Difícil é acreditar que ele não existiu.

Forrest está onde todos deveriam permanecer. E é assim, simplesmente assim, que ele vai ficar. Lá, apenas esperando algo acontecer. E acontece. Sempre acontece, porque ‘talvez apenas flutuemos, sem rumo na brisa.’

*Juliana Perrella Longo escreveu este texto. Trata-se do programa distribuído durante exibição de “Forrest Gump – O contador de histórias”, no dia 25 de outubro de 2011.


Algumas curiosidades sobre Forrest Gump

17/10/2011
  • Ao receber o Oscar de melhor ator por Forrest Gump, Tom Hanks igualou a marca de Spencer Tracy, que até então era o único ator a ter ganho o Oscar por dois anos consecutivos.
  • O ator Haley Joel Osment, que seis anos depois seria indicado ao Oscar de “Melhor Ator Coadjuvante” por sua atuação em O sexto sentido, tinha cinco anos e fez uma ponta no final do filme.
  • Jim, o irmão mais novo de Tom Hanks, foi dublê do ator em muitas das seqüências de corrida.
  • Sally Field, que fez o papel de mãe de Forrest, é apenas dez anos mais velha que Tom Hanks.
  • A garota de cabelo vermelho no ônibus escolar é Elizabeth, a filha de Tom Hanks.
  • O sobrenome de Jenny (Curran) jamais é mencionado no filme. O único local onde o sobrenome pode ser encontrado é no envelope de uma carta que Forrest envia à Jenny enquanto estava no Vietnã.
  • O filme estreou no Brasil em agosto de 1994 e permaneceu em cartaz até meados de abril do ano seguinte.
  • A cidade cinematográfica em que Forrest conta as suas histórias é a mesma cidade cinematográfica De Volta Para o Futuro que também é dirigido por Robert Zemeckis.

Fonte:http://forrestgumpvive.blogspot.com/2010/12/curiosidades-fatos.html


Próxima Sessão: Forrest Gump

13/10/2011

Na essência, no âmago, no avesso, internamente à mostra, de um modo genuíno, natural, individual.

Forrest está onde todos deveriam permanecer.

Terça, 25 de outubro, às 18h30, no miniauditório da UTFPR.


É real, é ficção. É jogo, é cena. É emoção

04/10/2011

Alunos do curso de Técnico em Produção de Áudio e Vídeo, do Colégio Estadual do Paraná, participaram da edição do Terça Tem Cinema no último dia 27. Em cartaz – e em discussão – “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho. De volta à sala de aula, os estudantes do 1º A do referido curso colocaram no papel suas impressões. Ei-las:

Quem está atuando?
Por @Sam_twin e @Sah_twin

O documentário “Jogo de Cena”, de Eduardo Coutinho, mostra vários dramas vividos pelos personagens. Histórias que se tornaram comuns, como perder um filho que reagiu a um assalto. Entre os personagens, seis atrizes contando os mesmos fatos ocorridos pelas entrevistadas, situação essa que nos deixa com dúvidas sobre quem está falando a verdade e quem está atuando.

A personagem que mais chamou atenção foi uma mulher que morou no exterior, que não vê sua filha há anos; ela se emocionou contando a história do filme “Procurando Nemo”, que pra ela é uma lição de vida. E no final do documentário ela ainda canta a canção “Se Essa Rua Fosse Minha”. (RISOS!)

Jogo de Cena. Ou de emoção?
Por Milena , Ragmam e Renan

Ter uma história. Era a única exigência que o filme fazia para mulheres dispostas a doarem sua história e serem entrevistadas por Eduardo Coutinho, que realizaria seu “Jogo de Cena”. Dentre as histórias escolhidas temos a interpretação, por quem a conta, e a reinterpretação, por atrizes. Aí está o jogo. No palco de um teatro vazio, com atrizes desconhecidas, ficamos em dúvida:
de quem realmente é a história?
Ao apresentar atrizes conhecidas, percebe-se a real intenção do documentário. Não é simplesmente se emocionar com diferentes histórias, mas, sim identificar-se com ela, seja real ou não! Coutinho conta cenas da vida de pessoas, joga com nossas emoções e, por fim, nos faz pensar: ao recontar nossas histórias, interpretamos personagens ou fazemos com que o público que as vê se identifique e se torne ele, o personagem principal?

Realidade encenada
Por Ana Rocha, Carlos e Michael Henrique

O documentário mistura realidade com ficção por meio de uma produção simples, porém bem estruturada. A partir de um anúncio de jornal o diretor seleciona histórias de mulheres e as expõe no filme.

Com depoimentos ora das protagonistas dessas histórias, ora interpretadas por atrizes, tem-se um jogo de cenas – uma seguida da outra -, que envolve e emociona. Relatos dramáticos da vida real, ali apresentados, chegam a confundir o que é real do que não passa de uma representação.

O filme faz com que o público que está assistindo comece a pensar e visualizar como as personagens enfrentaram e superaram barreiras. Superação essa seja através da religião, de apoio dos familiares ou se agarrando aos bons momentos do passado.

Até as atrizes convidadas para interpretar uma situação real encontram dificuldades ao se identificarem com suas histórias de vida. Por exemplo, a atriz Marília Pêra, que ao contar a história da mãe que não falava com a filha sentia a dificuldade de interpretar, pois se lembrava da própria filha. De uma forma ou outra, nos depoimentos verídicos ou nas interpretações, o documentário aproxima a ideia de que o real pode, a qualquer momento, ser questionado.

Sob a luz da câmera
Por Karina Silva e Hudyson Dias

O documentário retrata aspectos em que a realidade nem sempre é tão convincente. As cenas, intercaladas por mulheres que falam sobre seus sonhos, amores, medos e tragédias, tornam-se ingredientes básicos para que o autor construa um novo olhar sobre a percepção do ficcional e do real. Até que ponto a ficção se confunde com a realidade? É mais fácil dar vida ao fictício ou interpretar a realidade, que muitas vezes é tão cruel?

Num jogo de cenas e fatos, a realidade também pode ser mascarada ou manipulada, tudo depende da imagem que quer passar.

Numa conversa sob a luz do palco, atrizes de suas próprias histórias se expõem sob o olhar observador da lente humana. Coutinho, o entrevistador-diretor, extrai de suas “personagens” histórias marcantes, em que a única trilha sonora é a emoção.

Texto enviado pelo professor Wagner de Alcântara Aragão


Jogo de cena*

04/10/2011

Um palco de teatro, no qual várias mulheres são filmadas, uma de cada vez, sentadas em uma cadeira. De costas para uma plateia vazia, elas contam histórias em primeira pessoa. É assim que é “Jogo de Cena”. A produção não poderia ser mais simples. Mas as discussões que o filme é capaz de levantar são bastante complexas.

Qual é a ideia? Foi feito um anúncio em jornal convocando mulheres a realizarem um teste para participar de um documentário. Era necessário apenas ter histórias para contar. Oitenta e três foram entrevistadas e, destas, vinte e três selecionadas para gravarem seus depoimentos no Teatro Glauce Rocha. Três meses depois, atrizes foram convocadas a interpretar, a seu modo, as histórias daquelas mulheres.

Com esta premissa, Eduardo Coutinho vai nos mostrando o limiar entre realidade e ficção: depoimentos reais são intercalados com interpretações. Começamos a nos indagar quem é a pessoa realmente “dona” da história, e quem está atuando? Ao nos depararmos com os rostos de algumas atrizes conhecidas, fica claro saber quem está “mentindo”, ainda mais que elas inclusive chegam a fazer comentários sobre a atuação. Mas em outros casos, fica difícil desconfiar que aqueles depoimentos não sejam verdadeiros.

A partir disso, questões mais complexas sobre real e representação podem ser levantadas. Por exemplo, não existem garantias que em um depoimento “real”, aquela pessoa não tenha exagerado em algumas partes da história, ou até mesmo incluído detalhes para torná-la mais interessante. Da mesma forma, quem pode dizer que uma atriz não teve sentimentos verdadeiros ao interpretar um texto que não lhe pertence, mas que lhe toca?

O próprio Coutinho afirma que mais importante do que o tema de um documentário, é a maneira como esse tema é tratado. Em “Jogo de Cena”, essa ideia fica bastante clara: uma hora, percebemos que o importante não é mais quem está falando a verdade ou quem está mentindo, mas sim sentir a maneira que as mensagens são transmitidas.

Afinal, se pararmos para pensar, todos nós interpretamos personagens em nosso dia a dia, em maior ou menor grau. No fim, o que interessa é a força que transmitimos nas histórias que contamos. Reais ou não.

*Andrea Mayumi Maciel escreveu este texto. Trata-se do programa distribuído durante exibição de “Jogo de Cena”, no dia 27 de setembro de 2011.


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