Kiriku e a feiticeira*

01/12/2010

Em 1998, o roteirista, cineasta e animador francês Michel Ocelot encantou o mundo (bom, pelo menos o mundo ligado no circuito alternativo de cinema) com seu longa de estréia, Kiriku e a Feiticeira. De traços simples, idéias ágeis e recheado de cultura africana, o desenho animado ganhou mais de uma dezena de indicações e prêmios em vários festivais mundiais, principalmente os de animação e os ligados à temática infantil.

A história de Kiriku e a Feiticeira é mítica. Trata-se do herói que, indiferente a seu tamanho e pouca experiência de vida, segue seus instintos e sábios conselhos de seu avô para salvar sua aldeia da perigosa Feiticeira Karabá, que havia subjugado todos os homens da aldeia e monopolizado suas riquezas, a água e o ouro.

Assim como Kiriku é um herói que foge do padrão por não contar com super poderes, o filme encanta sem se apoiar em padrões estéticos e signos dos mais familiares ao público ocidentalizado. A história se passa numa tribo africana, e Ocelot soube traduzir isso de diversas maneiras, na relação figura e fundo, luz e sombra, contrastes, cores, etc. Kiriku incorpora tudo isso no seu traço, de uma fascinante bidimensionalidade, e cores vibrantes, como são as cores vistas nas vestimentas e acessórios usados pelo povo africano. Assim também os personagens são desenhados com traços bem marcantes deste povo, não há nenhuma tentativa de “ocidentalização” de fisionomias e biotipos, o que com certeza enriquece muito o trabalho de Michel Ocelot.

Em seguida, vem a música, que está presente de uma maneira um tanto mais orgânica do que a que estamos acostumados a ver, principalmente em filmes de animação para crianças. A música faz parte do filme como faz parte do dia a dia do povo. Eles vão improvisando, batucando e reagindo à música para celebrar vitórias, como as tribos fazem há séculos. A música surge dos personagens. E para produzir a trilha sonora de Kiriku e a Feiticeira foram utilizado essencialmente instrumentos musicais africanos, como balafon, ritti, cora, xalam, tokho, sabaar e o belon.

A beleza de Kiriku e a Feiticeira está na simplicidade. É uma história simples que acompanha a ingênua simplicidade do traço de Ocelot. E é justamente neste despojamento naïf que reside o encanto do filme. Assim como Kiriku resiste à bruxa, Ocelot resiste à sedução da tecnologia 3D “estilo Pixar”. Ele é um contador de histórias à moda antiga, do tipo que ainda manda flores e que faz questão de cooptar como co-autor de seus filmes a sempre vívida imaginação de quem os assiste.

*Aline Scheffler escreveu este texto. Trata-se do programa distribuído durante exibição de “Kiriku e a feiticeira”, no dia 30 de novembro de 2010.

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Animação de novembro: Kiriku e a Feiticeira

30/10/2010

O Terça tem cinema exibe em novembro a animação Kiriku e a Feiticeira, do diretor francês Michel Ocelot.
Dia: 30 de novembro
Hora: 18h30
Local: miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR

Ficha técnica

Título original: Kirikou et la Sorcière
Gênero
: Animação
Duração
: 71 min
Ano de lançamento
: 1998
País
: França
Estúdio
: Trans Europe Film / Les Armateurs / Odec Kid Cartoons / Exposure / Monipoly / Studio O / France 3 Cinéma / Radio-telévision belge
Distribuidora: ArtMann
Direção: Michel Ocelot
Roteiro
: Michel Ocelot
Música
: Youssou N’Dour
Edição: Dominique Lefèvre
Elenco: Fezele Mpeka (Tio), Antoinette Kellermann (Karabá), Theo Sebeko (Kiriku), Kombisile Sangweni (Mãe) e Mabuto “Kid” Sithole (Velho / Viellard).

Sinopse
Na África Ocidental, nasce um menino minúsculo, cujo tamanho não alcança nem o joelho de um adulto, que tem um destino: enfrentar a poderosa e malvada feiticeira Karabá, que secou a fonte d’água da aldeia de Kiriku, engoliu todos os homens que foram enfrentá-la e ainda pegou todo o ouro que tinham. Para isso, Kiriku enfrenta muitos perigos e se aventura por lugares onde somente pessoas pequeninas poderiam entrar.


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