E o Clube voltou…

04/04/2010

No dia 31 de março (quarta-feira), o Clube de Cinema da UTFPR retornou à ativa. A estreia da programação 2010 foi brindada com uma significativa adesão por parte do público, contando com aproximadamente 100 pessoas na plateia.

o respeitável público presente

A programação deste ano faz uma rápida passagem pelo mundo da animação. A estreia levou à tela do miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR uma obra consagrada no gênero: O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993), stop motion idealizado por Tim Burton e dirigido por Henry Selick.

A animação é considerada por muitos um marco em termos de produção. O filme envolveu as pessoas presentes por seus aspectos visuais, com suas belas imagens, personagens carismáticos e cenários riquíssimos, além de uma trama que prende a atenção do início ao fim, contando com uma trilha sonora que complementa a história.

Após a exibição, a plateia participou de um debate mediado pelos integrantes do Clube. Inicialmente foram abordadas, de forma breve, questões sobre a parte técnica do filme exibido, algumas curiosidades de produção e criação e aspectos narrativos. Também é importante ressaltar outras questões levantadas pela platéia, que, a propósito, já davam um ano de discussão no clube, a fim de tentar respondê-las.

Qual o futuro da animação? E o que é produzido no cenário brasileiro?

São indagações que nós mesmos nos fazemos e que, no decorrer do ano, vamos tentar, não responder, mas apontar caminhos que possibilitem debates cada vez mais interessantes e que instiguem a apreciação com a qualidade que o gênero de animação merece.

Em tempo: o próximo encontro será no dia 27 de abril, com exibição de As Bicicletas de Belleville (Les triplettes de Belleville, 2003).


Post escrito por Ivana Lemos e Sol Sloboda

Anúncios

Henry Selick de volta na Disney e o futuro do stop motion

02/04/2010

Henry Selick está feliz da vida

Henry Selick está voltando para a Disney. Isso me fez lembrar de um dos pontos do debate da última exibição (O Estranho Mundo de Jack, no dia 31 de março), sobre o futuro da animação. Na hora, chegamos à conclusão de que o futuro é de surgimento de novas técnicas e de muita diversidade. Agora, com essa notícia, podemos reafirmar que o stop motion, definitivamente, tem sobrevida garantida.

Com bastante sucesso de bilheteria, O Estranho Mundo de Jack, de 1993, fez com que a Disney apostasse na técnica e em Henry Selick. Mas, após o “fracasso” de James e o Pêssego Gigante, de 1996, a Disney parou de apoiar o stop motion.

A contratação de Henry Selick pela Disney/Pixar, agora, é um impulso pra técnica, que obteve sucesso no ano passado com as animações O Fantástico Sr. Raposo e Coraline e o Mundo Secreto.  Segundo a revista Variety, Selick irá escrever e dirigir filmes com roteiros originais e adaptações literárias. Mesmo trabalhando para um grande estúdio, ele afirma que vai manter seu estilo de sempre, esperando se beneficiar da liberdade criativa e da tecnologia da Pixar.


O Estranho Mundo de Jack*

01/04/2010

Mudanças, novidades. Quem nunca sentiu essa necessidade pelo menos em algum momento de sua vida? Aquela estranha sensação de que tudo está relativamente bem, como sempre, mas que falta uma coisa, uma coisa dessas de tirar o fôlego, sabe? Ou que te faz suspirar, sorrir com os olhos. Essa necessidade, é a necessidade do novo, do encantamento que nos move.  É essa mesma que move Jack Skellington, personagem da animação O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Chistmas) que é um desses filmes, uma dessas coisas, que te faz suspirar.

O Estranho Mundo de Jack é um trabalho tão comovente, que mexe com aquelas lacunas que às vezes deixamos empoeirar sobre prateleiras da saudade, da falta que faz tudo aquilo que nos importávamos na infância. Por isso, guardá-lo em uma gaveta (ou gênero) infantil, musical, até mesmo terror, é limitar as possibilidades de leitura que este trabalho proporciona.

Idealizado por Tim Burton, ainda um novato no início da década de oitenta, recusado vezes seguidas pelas produtoras, só foi de fato produzido uma década depois. O filme é de 1993, dirigido por Henry Selick – diretor de James e o Pêssego Gigante (1996) e Coraline e o Mundo Secreto (2009) – e produzido por Tim Burton e Denise DiNovi, além de contar com uma riquíssima trilha sonora, realizada por Danny Elfman, grande parceiro de Tim Burton em outras produções de sucesso, como Beetle Juice (1988), Edward Mãos de tesoura (1990), Marte Ataca (1996) e Peixe Grande e suas histórias maravilhosas (2003). As canções conseguem transmitir a ludicidade do natal, do encanto, da descoberta, assim como a melancolia da incerteza, da falta de sucesso.

O filme é realizado em stop motion, técnica de animação em que um objeto é movimentado milimetricamente e fotografado quadro a quadro, que quando reunidos proporcionam movimento. O Estranho mundo de Jack levou cerca de três anos para ser concluído. Conta com cenários fantásticos e sombrios, personagens macabros e carismáticos, e um humor negro de primeira, que já trazem o que seria a marca de Tim Burton. Um trabalho manual, que preza pela delicadeza dos detalhes, que não podemos deixar passar: os grandes cílios e as costuras de Sally, o nariz reluzente do cachorro fantasma, a neve, deliciosamente, brilhante da Cidade do Natal (Christmas Town), os guarda-chuvas dos vampiros, ou ainda as janelas com linhas sinuosas (quase que no estilo Art Noveau) da Cidade do Halloween (Halloween Town).

Todo esse primor é para contar a história de um esqueleto, Jack, que vive na Cidade do Halloween, e que, cansado das mesmas coisas, numa dessas andanças da vida, encontra a Cidade do Natal, onde laços, afagos, bochechas rosadas e presentes preenchem as casas. Então ele acredita ter encontrado uma nova razão, um novo desafio, que leva para sua cidade, a fim de produzir o natal, sem entender muito bem o que significa.

Talvez a grande questão no filme sejam os diferentes significados que nós temos para as mesmas coisas. Ou sobre o que é diferente, o quanto estamos acostumados a determinadas regras, que não aceitamos a novidade. Ou ainda, o fato de que às vezes temos que retornar ao que já fomos para, quem sabe, entender o que somos e preencher as tais lacunas deixadas pelo tempo. O bom mesmo é fazer a leitura que desejarmos. E se Jack tem sucesso nessa empreitada ou não?  Vamos ao filme!

*Ivana Lemos e Sol Sloboda escreveram este texto. Trata-se do programa distribuído durante exibição de “O Estranho Mundo de Jack”, no dia 31 de março de 2010.


É hoje: Clube de cinema da UTFPR estreia programação 2010 com O Estranho Mundo de Jack

31/03/2010
  • O que: exibição da animação O Estranho Mundo de Jack
  • Quando: hoje, dia 31 de março, às 18h30
  • Onde: no miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR (Avenida Sete de Setembro, 3.165)
  • Porque: vai ser sensacional! :P

Curiosidades sobre O Estranho Mundo de Jack

28/03/2010

Você sabia?

  • Tim Burton diz que a inspiração para a história/poema em que O Estranho Mundo de Jack é baseado surgiu depois que ele viu uma loja substituir a decoração de compras de Halloween pela de Natal. A troca de fantasmas e demônios por Papai Noel e sua renas mexeram com a imaginação do cineasta.
  • Na história original de Tim Burton, nenhum personagem aparece além de Jack, Zero e Papai Noel.
  • Na versão alemã de O Estranho Mundo de Jack, a personagem Sally foi dublada pela cantora punk Nina Hagen.
  • O personagem Behemoth (dublado por Randy Crenshaw) foi criado com base no ator de “filmes-B” Tor Johnson.
  • Um dos versos da canção “This is Halloween” diz: “… tender lumplings everywhere…”. Trata-se de uma referência à música “Tender Lumplings”, que o compositor Danny Elfman escreveu quando ainda fazia parte da banda Oingo-Boingo.
  • A decisão de não mostrar os rostos dos personagens adultos é uma homenagem aos desenhos animados de Charlie Brown.
  • A primeira aparição de Jack no cinema foi em Os Fantasmas Se Divertem. Note no topo do carrossel de Beetlejuice, próximo ao final do filme, quando o fantasma sai do chão depois de ser chamado por Lydia.
  • O gato que pula na lata de lixo, logo no começo do filme, é o mesmo gato que aparece no curta de animação Vincent, dirigido por Tim Burton em 1982.
  • A cobra vista no filme também aparece em Os Fantasmas Se Divertem.
  • Durante a canção “Jack’s Lament”, Jack passa entre duas lápides. A da esquerda é uma reprodução da pintura “O Grito”, enquanto a da direita é o cavalo do quadro “Guernica”, de Picasso.
  • Para facilitar a filmagem, a equipe criou duas estratégias: uma luz de alarme que avisava aos animadores se alguma das luzes do cenário não estivesse acesa; e um sistema que possibilitava um boneco ser substituído por outro caso ele quebrasse durante a gravação de uma cena.

Fonte: IMDb


O Lamento de Jack

21/03/2010

O Estranho Mundo de Jack – 31 de março

15/03/2010

Dia 31 de março, às 18h30, tem exibição do Estranho Mundo de Jack, no miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR. Quer saber mais sobre o filme? Veja ficha técnica e assista ao trailer.

Ficha técnica

Título original: The Nightmare Before Christmas
Gênero:
Animação
Duração: 76 min
Ano de lançamento: 1993
País: EUA
Site oficial:
http://www.nightmare3dmovie.com/
Estúdio: Touchstone Pictures / Skellington Productions Inc.
Distribuidora: Buena Vista Pictures / Touchstone Pictures
Direção: Henry Selick
Roteiro: Caroline Thompson, baseado em adaptação de Michael McDowell e em poema e personagens criados por Tim Burton
Produção: Tim Burton e Denise Di Novi
Música: Danny Elfman
Fotografia: Pete Kozachik
Direção de arte: Deane Taylor e Barbara Cohen
Edição: Stan Webb
Efeitos especiais: Buena Vista Visual Effects / Industrial Light & Magic / LOOK! Effects / Menfond Electronic Art & Computer Design Company / RotoFactory / Walt Disney Feature Animation
Elenco: Chris Sarandon (Jack Skellington), Danny Elfman (Jack Skellington – voz de canto / Barrol / Palhaço com lágrima no rosto), Catherine O’Hara (Sally / Shock), William Hickey (Dr. Finkelstein).

Sinopse:
Jack Skellington (Chris Sarandon) é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte, mas, após mais um Halloween, Jack se mostra cansado de fazer aquilo todos os anos. Assim ele deixa os limites da Cidade do Halloween e vagueia pela floresta. Por acaso acha alguns portais, sendo que cada um leva até um tipo de festividade. Jack acaba atravessando o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel (Edward Ivory) e fazerem seu próprio Natal. Apesar de argumentos fortes de sua leal namorada Sally (Catherine O’Hara) contra o projeto, o Papai Noel é capturado. Mas os fatos mostrarão que Sally estava totalmente certa.


%d blogueiros gostam disto: