A úlltima exibição…

02/06/2014

O último filme do Terça tem Cinema foi “Rashomon”, 1950, de Akira Kurosawa. Após a exibição, como de costume,  aconteceu um bate-papo super legal e enriquecedor sobre o filme – responsável por tornar o cinema japonês mundialmente conhecido.

Se você perdeu,  fica aí a dica e o trailer de um clássico do cinema:

*** No mês de junho não teremos exibição, nosso retorno fica para julho, no dia 29, com o filme “Amnésia” , EUA, 2000, com a direção de  Christopher Nolan.

Esperamos vocês!

 

 

 


Brilho eterno de uma mente sem lembranças.

30/04/2014

Imagem

Ruína azul.
Essas palavras fazem parte de um dos primeiros diálogos logo no início do filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. Filme de 2004, do diretor Michel Gondry, com roteiro do genial Charlie Kaufman.
É o azul não só do cabelo de Clementine (Kate Winslet) que vai permear toda a narrativa do filme. Um azul melancólico, solitário e introspectivo como o personagem Joey, lindamente interpretado por Jim Carrey, o azul que abre e fecha o filme e a ruína de uma história de amor e de um emaranhado de lembranças boas ou ruins, permeada por cheiros, sensações, lugares, objetos, imagens…
O filme, como muitos críticos já escreveram, é sim uma história de amor. Escrever sobre ele, ou melhor, algo novo sobre ele é praticamente impossível. Em dez anos o Brilho se tornou objeto de culto e foi esmiuçado mundo afora. Mas o que faz com que ele seja sempre revisto ou redescoberto e estudado o tempo todo?
É a identificação. É inevitável. É um tema universal. Quem nunca viveu uma desilusão amorosa? Quem nunca quis esquecer algum fato ou pessoa? Assim… Acordar um belo dia e não lembrar de nada que trouxesse sofrimento. Como se nada tivesse acontecido.
É em torno desse argumento que a narrativa de Brilho eterno é construída. Clementine, infeliz com suas memórias e o fim de seu relacionamento conturbado com Joey, decide apagá-lo completamente de sua memória e procura o serviço oferecido pela empresa Lacuna. Joey descobre e movido por seu orgulho ferido e vingança decide revidar e apagá-la também. Simples assim? Quem dera…
A partir disso, boa parte do filme se passa na mente de Joey durante o procedimento, e, talvez aí, estejam as sequências de cenas mais lindas e inusitadas. Neste ambiente ele redescobre a importância de suas memórias e sentimentos em relação a Clementine, ou pelo menos no que diz respeito às lembranças boas e bonitas que também ficaram da ex-namorada. Joey decide suspender o procedimento e a partir daí o drama dá espaço a uma grande sequência de aventura, suspense e com um toque cômico, quase desesperado, em busca da permanência da memória.
O diretor é sem dúvida um poeta visual. Constrói com toda a sua equipe, um ambiente estonteante e, com recursos praticamente artesanais de iluminação e câmeras, cria efeitos visuais extremamente ricos que deixam o espectador extasiado com tamanha beleza. A direção de arte do filme é impecável, como a trilha, a edição, o roteiro…
Além do aspecto visual, outro elemento de extrema importância é o tempo. Que, aliás, é o tema do Clube neste ano. A história não segue um percurso linear. O tempo todo somos acometidos por imagens do passado, do presente e do futuro, que conversam com o turbilhão de sentimentos de Joey e com o furacão que é Clementine. Por vezes, não conseguimos nos localizar, é preciso pensar, refletir para compreender a história como um todo e reconstruí-la. Informações do início do filme vão fazer sentido só lá no final e aí vale a seguinte reflexão: seria tão impactante ou angustiante na mesma medida se o filme fosse contado de forma cronológica? Isso a gente vai descobrir… E como disse o crítico Marcelo Janot é “um filme difícil de apagar da memória.”


* Texto escrito por Ivana Lemos -distribuído como programa da exibição do filme Brilho eterno de uma mente sem lembranças.


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