Rebobine, Por Favor: Michel Gondry presta sua homenagem à popularização da Sétima Arte através do VHS

04/09/2013

2008_be_kind_rewind_008Há dois pré-requisitos para aproveitar ao máximo Rebobine, Por Favor (Be Kind, Rewind, 2008): Gostar de cinema e ter vivido os anos 1980.

Só quem experimentou na tela grande Os Caça-Fantasmas, ficou na fila de espera para alugar a fita deRobocop e viu sair o primeiro VHS de 2001: Uma Odisséia no Espaço entenderá totalmente o carinho que o diretor e roteirista Michel Gondry (Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança) tem por essa época.

Não tome isso, porém, como um apreço do cineasta a la“trash eighties”, ode exagerada à breguice de uma era. Em tempos de blu-ray e mídias digitais, o cineasta francês presta aqui sua homenagem à popularização da Sétima Arte através do “Video Home System” (VHS), às locadoras de bairro em extinção e a uma época em que a criatividade corria livre por Hollywood, quando estavam apenas começando as seqüências e refilmagens e a quase inexistência da computação gráfica forçava a indústria a buscar inventivas soluções para as cenas que desejava criar.

Na trama, um dono de locadora (Danny Glover) vê-se em apuros. A concorrência começa a investir em lojas modernas e alta tecnologia e seus negócios vão de mal a pior. Sem dinheiro, ele sequer tem como fazer as reformas que a prefeitura exige em seu prédio – e pode perdê-lo. O pacato senhor parte então para a cidade, onde estudará o novo negócio dos digital video discs, deixando o ajudanteMike (Mos Def) tomando conta da loja. Mas Mike tem um amigo desmiolado, Jerry (Jack Black), que acaba desmagnetizando por acidente todas as fitas da locadora. Desesperados, eles começam a reencenar, com os recursos que têm à mão, cada filme da loja. E a demanda começa a crescer…

O que são os personagens de Jack Black Mos Defsenão os pioneiros do cinema? Para refilmar os clássicos, usam inadvertidamente técnicas criadas ao longo de um século de arte por mestres como Fritz Lang, de quem primeiro partiu o truque da perspectiva que os amigos usam em sua versão “suecada” de King Kong. Sim, há até um termo para as refilmagens toscas: “Suecar“, ou recriar sem recursos, que virou mania de “mundo real” noYouTube.

Outra grande idéia atrelada à suecagem foi a proibição de Gondry que qualquer pessoa assistisse novamente aos filmes citados. As recriações deveriam partir das lembranças de cada um daquelas produções, do que as pessoas guardaram com elas. Em filmes cheios de ícones e momentos antológicos, como o citado Caça-Fantasmas, fica relativamente fácil – mas é igualmente hilário acompanhar como se refaz um filme-falatório como Conduzindo Miss Daisy, do qual ninguém lembra de coisa alguma.

Mesmo antes do lançamento, Gondry explorou a “suecagem” na campanha de marketing do filme com grande sucesso, mas o resultado nas bilheterias decepcionou. Talvez porque pouca gente divida com o diretor a agradável nostalgia que ele transmitiu tão bem. Não é um filme de gargalhadas histéricas, mas um de sorriso constante, um “feel good movie” fantasioso e totalmente cinéfilo. E dá uma vontade enorme de assisti-lo em VHS, ouvir o barulhão da fita, ter que colar o filme com esmalte depois que o cabeçote engoliu um pedaço, e, claro, não rebobinar ao final!

Senti falta apenas – e acredito que o cineasta também – dos grandes clássicos da Amblin Entertainment, verdadeiro sinônimo do cinemão oitentista. Sem ET – O ExtraterrestreGremlins, Goonies De Volta Para o Futuro, filmes que a produção não conseguiu licença para suecar, os anos 1980 parecem incompletos…

Texto de Érico Borgo publicado no site Omelete.


Abril Despedaçado – Um sólido e importante drama para o cinema nacional, mostrando que Walter Salles continua em forma

05/08/2013

abril-despedacadoA cada crítica de um filme brasileiro (ou mesmo latino), repito a mesma coisa: nosso cinema (e dos nossos vizinhos) está crescendo em um ritmo bastante razoável. Hoje já é possível ver nas salas de cinema, em bastante número, filmes falados em português e espanhol que, na sua média, são melhores do que os norte-americanos. Coisa que na primeira metade da década de 90 acontecia muito pouco. Está crescendo a quantidade e a qualidade dos filmes. No caso do Brasil, tudo começou com a surpreendente indicação ao Oscar de O Quatrilho, que fez todo mundo voltar os olhos para o nosso cinema. A partir daí, ganhamos destaque ainda maior com O Que É Isso, Companheiro?, filme de Bruno Barreto também indicado ao Oscar e, principalmente, Central do Brasil, filme que conseguiu um feito raro: indicar uma atriz que não fala idioma inglês para melhor do ano. Ao lado de Central do Brasil, Fernando Montenegro foi indicada ao Oscar de 1998. Nem filme nem atriz levaram o prêmio, mas valeu a experiência e ficou o orgulho.

Mas o melhor ainda estava por vir. Cidade de Deus foi “O” filme nacional, que fez milhares de pessoas se voltarem definitivamente ao cinema daqui, prova disso é o sucesso comercial de Deus é Brasileiro. Confesso que apenas passei a me interessar pela cinemateca nacional a partir do lançamento do filme de Fernando Meirelles. E garanto: vale à pena ir atrás de outros filmes nacionais. Abril Despedaçado é um deles. Ele é o novo projeto de Walter Salles depois de Central do Brasil. Foi feito com grandes pretensões artísticas, mas acabou saindo frustrado das grandes premiações, ganhando uma indicação ao Globo de Ouro, mas ficando de fora do Oscar.

Abril Despedaçado também foi muito mal lançado, pelo menos aqui no Brasil. O filme saiu meses antes nos cinemas norte-americanos (por causa da possibilidade de uma indicação ao Oscar), e somente no final do primeiro semestre de 2001 apareceu no Brasil (já tendo sua imagem bastante desgastada). Certamente a indústria do cinema nacional ainda tem muito o que melhorar, pois Abril Despedaçado é um filme tão bom quanto Central do Brasil, e teria merecido um lançamento nacional em larga escala. Acabou se dando melhor nas locadoras, meses depois. Pelo menos isso…

O tema rural-nordestino, presente em Central do Brasil, continua em Abril Despedaçado. É um filme que fala da pobreza, e da falta de informação das pessoas (estou generalizando aqui) do interior do interior do Nordeste brasileiro que, vivendo sem esperança, pouco fazem – e pouco querem fazer – pra mudar sua situação. Se bem que o filme se passa em 1910, e se hoje ainda há muita desinformação para a população miserável, imagine naquela época.

Basicamente, é a história de uma disputa sem fim entre duas famílias. Tonho (Rodrigo Santoro) deve vingar o nome da sua família matando o filho mais velho da família rival (que matou antes um membro de sua família). Acontece que assim que realizar a vingança, ele sabe que, com a chegada da próxima lua cheia, ele também será morto, e não há nada que os chefões das famílias façam nem queiram fazer para este ciclo ter fim. Quando a camisa manchada de sangue do morto anterior amarela, é hora de se vingar.

É uma história muito triste. O trabalho das pessoas é difícil, repetitivo e não dá esperança nenhuma (eles produzem rapadura). Talvez morrer não seja tão mau, portanto. Mas a esperança eventualmente chega para Tonho, quando ele encontra em seu caminho um casal de artistas de circo de rua, e se apaixona pela mulher. Logo, Tonho finalmente vê um novo significado para a sua vida e tenta convencer seu pai que a disputa entre as famílias nunca levará a lugar nenhum (o que é verdade). A partir daí, Tonho vive o dilema de ou cumprir o seu papel, sendo morto, em respeito a seu pai, ou tentar acabar com a disputa.

Rodrigo Santoro, que faz Tonho, é hoje o melhor ator de sua geração no cinema brasileiro. Não é à toa que está em vários filmes importantes, como Bicho de Sete Cabeças e logo logo vai aparecer em Carandiru (além de também fazer uma ponta em As Panteras 2). Mesmo tendo fama de galã, ele convence como um rapaz pobre e sofrido do campo (o que poderia ser difícil de acontecer, já que o público liga ele diretamente a uma imagem de riqueza e glamour). Assim como em Central do Brasil, há também um menino que tem papel importante no filme. Interpretado por Davi Ramos Lacerda, Pacu é o irmão mais novo de Tonho, que tenta dar apoio a ele ao mesmo tempo que leva cacetada do pai por causa disso.

Tirando as belas interpretações de todo o elenco, e ao lado de Rodrigo Santoro, o principal destaque do filme é a fotografia. A equipe de produção conseguiu transformar o seco e sem graça sertão nordestino em um lugar belíssimo, com um contraste lindo entre o marrom da terra e o azul incessante do céu, explorando bem elementos como a noite e o pôr-do-sol. É talvez uma das mais belas fotografias do cinema brasileiro nos últimos anos.

Com todas suas qualidades, Abril Despedaçado não está livre de falhas. No final, é mais um filme sobre a pobreza e desesperança do povo nordestino. O filme também peca por não aprofundar certos pontos, como a briga entre as duas famílias (a história de Tonho é mais importante do que a disputa, no final das contas), e não dá pra deixar de pensar o tempo todo que o filme, enquanto belo, é extremamente estilizado, moldado para a arte, o que é sem dúvida algo bastante pretensioso. Filmes americanos fazem isso o tempo todo quando querem ser indicados ao Oscar. Você nunca ouviu a frase: “este filme foi feito para o Oscar”?

Mas, com toda a certeza, os pontos fortes sobressaem-se em relação aos pontos fracos, e o saldo geral é que Abril Despedaçado é um filme muito bom, de boas atuações e com uma história, embora já contada tantas vezes, muito boa. É uma lição de esperança, força-de-vontade e coragem em um cenário que não oferece nada disso. Vale a pena ser assistido.

* Texto escrito por Alexandre Koball no Cineplayers


Nesta terça tem Satyricon de Fellini

10/06/2013

satyriconEm junho, o projeto Terça Tem Cinema apresenta o filme Satyricon de Fellini.

Dia: 11 de junho
Hora: 18h30
Local: Miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR

Confira a ficha técnica:

Título original: Fellini – Satyricon
Gênero: Drama
Duração: 128 minutos

Ano de lançamento: 1969
País: Itália
Direção: Federico Fellini
Elenco: Martin Potter, Hiram Keller, Max Born, Salvo Randone, Mario Romagnoli, Magali Noël, Capucine, Alain Cuny, Fanfulla, Danika La Loggia, Giuseppe Sanvitale, Lucia Bosé, Joseph Wheeler, Hylette Adolphe.

Sinopse: Na Roma antiga, os amigos Encolpio e Ascilto discutem sobre a propriedade do escravo Gitone, que escolhe ficar com Ascilto. Encolpio então irá se envolver em uma série de aventuras, muitas delas tratando de temas sexuais. O filme é baseado no livro de Gaius Petronius, que foi descoberto em fragmentos, e segue essa estrutura segmentada.


Curiosidades sobre Satyricon

06/06/2013

fellini-satyricon* Gian Luigi Polidoro registrou o título “Satyricon” para um filme seu. Federico Fellini lutou para usar o mesmo nome para seu filme, mas perdeu o caso. Por isso, no original, o título foi trocado para “Fellini – Satyricon”

* A United Artists pagou mais de 1 milhão de dólares pelos direitos de distribuição do filme de Polidoro, para que seu “Satyricon” ficasse fora do mercado até o lançamento da obra de Fellini

* Quando questionado sobre o motivo dos dois protagonistas serem atores estrangeiros e não italianos, Fellini respondeu: “Não há italianos homossexuais”

* Boris Karloff foi convidado para ser Trimalcione, mas estava muito doente para aceitar o papel

* A frase dita pela mulher prestes a cometer suicídio foi “Animula, vagula, blandula, hospes comesque corporis”, supostas últimas palavras do imperador Hadrian antes de sua morte. Hadrian morreu 72 anos depois de Petrônio, o autor de “Satyricon”

Fonte: IMDb


Dolls

26/05/2013

dollsO filme do mês de maio, Dolls (2002), do aclamado ator e diretor japonês Takeshi Kitano, surpreende por trazer um silêncio perturbador e uma beleza avassaladora, caminho oposto ao tomado nos trabalhos anteriores como Hana-Bi (1997) e Brother (2000).

As sequências a seguir tratam de três histórias sobre amor, desilusão, amargura e melancolia. Temas universais que Kitano trabalha com primor e delicadeza, independente do momento histórico ou do lugar, tornando cada historia única, particular.

O início da história mostra a cena de um casal de bonecos do Teatro Bunraku, uma manifestação tradicional da cultura japonesa onde os bonecos não demonstram expressão facial ou emocional. Este inicio traz uma enigmática pista do desenvolvimento dos personagens.

A primeira trama desenvolve-se no rompimento do casal Matsumo (Hidetoshi Nishijima) e Sawako (Miho Kanno), a outra história retrata a obsessão de um homem por uma artista pop e há ainda espaço para o entrelace de um terceiro ato em que um figurão da máfia solitário decide reencontrar um amor do passado. As ações resultam em suicídio, culpa, dependência e dor. Sem dar muitos detalhes, afinal o fator surpresa faz parte, todas as histórias demonstram uma profunda tristeza que não deixa de ser poética e bonita, contestada ou reforçada o tempo todo pela exuberância visual do filme.

Se o tema do Clube para 2013 é “O lugar onde o filme acontece”, Dolls entra com louvor. Neste caso, toda a direção de arte acaba virando uma personagem do filme, essencial para a história e seu entendimento. O contraste entre a expressão quase inexistente do primeiro casal e as paisagens, lugares, figurinos é gritante, toda carga dramática, o grito contido, o choro, o sorriso triste, o amor não correspondido, tudo isso parece estar presente na direção de arte e transborda aos olhos do espectador.

O filme é carregado de beleza e simbologias que enriquecem a leitura, forma tecituras, envolve os personagens. As cores presentes, os bonecos, o fio que une o casal, as estações do ano que marcam a trama, os silêncios constantes formam lacunas ocupadas pela beleza do entorno, dão respiro, tornam o filme uma experiência visual, sensorial, psicológica que fica ecoando mesmo depois de seu fim.

Dolls é uma experiência do belo.

* Texto escrito por Ivana Lemos e Juliana Perrella e distribuído como programa da exibição do filme Dolls


Nesta terça tem Dolls

13/05/2013

DollsEm maio, o projeto Terça Tem Cinema apresenta o filme Dolls.

Dia: 14 de maio
Hora: 18h30
Local: Miniauditório do Campus Curitiba da UTFPR

Confira a ficha técnica:

Título original: Dolls
Gênero: Drama
Duração: 114 minutos
Ano de lançamento: 2002
País: Japão
Direção: Takeshi Kitano
Elenco: Miho Kanno, Hidetoshi Nishijima, Tatsuya Mihashi, Chieko Matsubara, Kyôko Fukada, Ysutomu Takeshige.

Sinopse: Três histórias se entrelaçam no filme: Após uma tentativa de suicídio de sua noiva rejeitada, Matsumoto tira a amada do hospital e passa a vagar em sua companhia, amarrados com uma corda; Nukui é obcecado pela pop star Haruna, mesmo depois de ela sofrer um acidente de carro; um velho yakuza tenta se reencontrar com a namorada da juventude.


Dolls

22/04/2013

dolls2É de espantar a violência visual e a crueldade com que o diretor japonês, ex-comediante, Takeshi Kitano trata suas personagens. Mas não cabe aqui a comparação – que se faz habitual e erroneamente – com Quentin Tarantino. Enquanto o norte-americano se interessa pela banalidade de diálogos ostensivos, Kitano guarda no silêncio a sua ferramenta. Não se trata de nenhum exercício de sadismo ou de apologia da sangüinolência, mas de um olhar amargo sobre a vida, o amor e a cumplicidade.

Hana-bi – Fogos de artifício (1997) e Brother – A Máfia japonesa em Los Angeles (2000) são os dois exemplos mais representativos da técnica kitaniana, na qual a rigidez do código de honra dos assassinos da Yakuza é estendida a toda à sociedade reprimida do Japão. Sociedade que, desde o tempo dos samurais, dependente de regras sociais, incapaz de responder à tentação da rebeldia coletiva. No entanto, justamente o recente Dolls (2002), o único da trinca que não se concentra nas relações ferozes da Yakuza, o cineasta diz ser seu filme mais brutal – pela violência majoritariamente psicológica, não visual como nos trabalhos anteriores.

E as intenções de Kitano ficam evidentes logo na seqüência inicial. Uma apresentação de teatro de marionetes aquece o espectador e dá indícios da conduta do filme. Bonecos sem expressão transmitem agonia muda, e à coreografia das cordas do destino não cabe contorno. Logo são introduzidos os dois protagonistas. Matsumoto (Hidetoshi Nishijima) e Sawako (Miho Kanno) caminham presos por uma grossa corda vermelha. Não conversam, não se tocam, não param – apenas vagam num cenário idílico que lembra o lirismo de Akira Kurosawa (1910-1998).

Corta para o passado. Matsumoto, prestes a se casar com a filha de seu patrão, foge da igreja ao descobrir que Sawako, sua ex-namorada, acaba de tentar suicídio devido ao rompimento repentino. A moça não morreu, mas entrou num transe vegetativo. Matsumoto decide fugir com ela, cuidar de seu verdadeiro amor. Com o tempo, até se acostuma com a falta de comunicação. Todavia, para evitar que Sawako sofra algum acidente, se amarra à mulher. E começa assim a andança sem rumo.

Quando toda a situação já está assimilada pelo espectador, ao episódio do casal, somam-se mais dois, periféricos. No primeiro, um veterano da Yakuza decide procurar o grande amor da adolescência, abandonada sem justificativas em nome da carreira profissional. No segundo, o fã cego de uma estrela da música pop consegue se encontrar com sua musa, que se afastou do showbiz após um acidente que a deformou.

Às vezes, Kitano parece não confiar no próprio taco, e peca por uma certa reiteração constante de idéias já construídas anteriormente – como nas imagens do casal amarrado e na repetição da metáfora do teatro de bonecos. Mas o desfecho dos três casos – pancada que chega justamente no momento de maior ternura – comprova a afirmação de Kitano: Dolls é de uma brutalidade mais do que eficiente. Segundo o filme, lento mas feroz, todo comprometimento pressupõe a privação da vida. Ou seja, grosso modo, é melhor se conformar. Pois o amor tem muito mais de sacrifício do que de realização.

* Texto escrito por Marcelo Hessel no Omelete


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