Escritores nas telas

Como o primeiro filme da seleção de 2011 é “Mais Estranho que a Ficção”, selecionei alguns outros filmes que falam sobre escrita e escritores. A lista estava ficando gigantesca, mas resolvi cortar alguns que eram mais ou menos óbvios, além de outros que só mostram gente e uma máquina de escrever na mesma cena. Também fiz questão de excluir os filmes ruins e odiosos (na minha opinião).

Por isso, algumas omissões mais óbvias são, por exemplo, “Meu Primeiro Amor” (ela escrevia poemas, e faz um curso de escrita criativa, e se apaixona pelo professor, mas isso não é o mais importante) e “Pergunte ao Pó” (Fante se revirando no túmulo vendo seu alter-ego, Arturo Bandini, se transformando em algo bizarro).

É importante frisar que É ÓBVIO que faltam muitos filmes. Fiquem à vontade para sugerir mais nos comentários.

De toda forma, sem mais delongas, vamos à lista:

O Carteiro e o Poeta (1994)

Pablo Neruda é exilado na Itália. Praticamente sem contato humano, exceto a entrega de correspondência diária. O carteiro, por sua vez, começa a aprender a beleza da poesia, talvez menos como escrita por si, mas como uma forma de enxergar o mundo.

Barton Fink (1991)

Filme dos Irmãos Coen, o que já diz muito. John Turturro (grande ator subestimado) faz o personagem título, encarcerado num hotel, obrigado a escrever um roteiro para um filme sobre lutas. E, bem, é um filme dos Coen. Qualquer detalhe a mais estragaria o filme.

Adaptação (2002)

Esse filme repete a dobradinha de “Quero Ser John Malkovich”: Spike Jonze na direção e Charlie Kauffman nos roteiros. Passamos esse filme no fim do primeiro ano do clube. A história é a do próprio Charlie (e seu irmão Donald) tentando escrever um roteiro que adapte para as telas o livro-reportagem “O ladrão de orquídeas” de Susan Orlean. Até certo ponto. Depois o filme vira outra coisa.

As Horas (2002)

Este é baseado num livro de mesmo nome que, por sua vez, deriva do “Mrs. Dallway”, um dos clássicos de Virgínia Wolf. No filme acompanhamos três mulheres de épocas diferentes. A própria Virgínia, em vias de acabar com a própria vida, uma jovem mãe de família, leitora do tal livro e, por fim, uma Mrs. Dalloway contemporânea. Todas as histórias se cruzam e, no fim, tudo faz sentido.

O Livro de Cabeceira (1996)

Este é mais complicado. Mas, vamos tentar. É a história de uma menina que é filha de um escritor. Todo ano, no seu aniversário, o pai pinta seu rosto com ideogramas japoneses. Isso deixa ela alucinada com caligrafia e desenvolve uma tara por ter seu corpo escrito. Até que ela conhece o Ewan Mcgregor, que tem uma caligrafia terrível, mas é um bom escritor. Aí ela decide, ela própria, começar a escrever, meio que como vingança em relação ao editor do pai dela. E isso, pelo que me lembro, são só 30 minutos iniciais do filme.

Barfly (1987)

Baseado na obra de Charles Bukowski. Quem conhece o velho Buk sabe que ele, em geral, escreve sobre si mesmo. Ou seja: beber, transar e escrever (perdendo muitos sub-empregos no meio do caminho). E, como o personagem central é o Henry Chinaski, seu mais célebre alter-ego, o filme não foge muito disso.

O Iluminado (1980)

Você não viu esse filme? Sério? Bem, o máximo perdoável é não se lembrar que havia um escritor, mas o personagem de Jack Nicholson era um dramaturgo em busca de inspiração. “Muito trabalho e pouca diversão, fazem de Jack um grande bobão”.

Desejo e Reparação (2007)

Um erro infantil tem consequências devastadoras e a imortalidade da ficção é uma das poucas possibilidades de redenção. Qualquer palavra a mais, caso você não tenha visto, estragaria a sessão. Além de tudo, tem uma fotografia bonita de doer.

Desconstruindo Harry (1997)

Woody Allen é, também, escritor (e jazzista, e diretor, e ator, e roteirista e já fazia stand up quando a moçada do CQC nem existia, quem dirá suas fraldas). Por isso é difícil apontar um filme onde essa marca seja mais pesada. Fico com “Desconstruindo Harry” mais por estar centrada na figura de um escritor, que passa o filme lidando com seus personagens, que não deixam de ser manifestações de si mesmo. Uma curiosidade: o Robin Williams não aparece no filme e, por isso, não é creditado no início.

Louca Obsessão (1990)

Um escritor, que é o James Caan, sofre um acidente numa área isolada e fica aos cuidados de uma enfermeira que não só é a Kathy Bates (atenção para o sobrenome), como é, literalmente, louca pelos livros dele. Quando ela descobre que o personagem favorito dela vai morrer no próximo livro, ela surta.

Menção honrosa: Johnny Depp

Ele interpretou escritores em “Medo e Delírio em Las Vegas” (1998), “Em Busca da Terra do Nunca” (2004), “Janela Secreta” (2004) e “O Libertino” (2004). Além disso, ele faz um travesti cubano em “Antes do Anoitecer” (2000), filme com o Javier Barden que conta a história do escritor Reinaldo Arenas.

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4 Responses to Escritores nas telas

  1. tassia arouche disse:

    Massa o post.

    Eu incluiria, sobre “O Iluminado”, que o filme é uma adaptação do livro de mesmo nome do Stephen King. Nunca li, mas dizem que é ótimo e assustador!

    E incluiria, além disso, “Mistérios e Paixões” (tradução péssima, o original é “Naked Lunch”), do David Cronenberg (adoro esse cara!). Sobre Will Burroughs e seu livro “Almoço Nu” (“Naked Lunch”!!). Só Cronenberg pra fazer um filme bom sobre esse livro, que é louco e sensacional.

  2. P. Çanha disse:

    Comentários dispensáveis:

    Carteiro e o Poeta – o carteiro era o maior gay
    As Horas – filme de mulherzinha
    Livro de Cabeceira – pinto do Ewan McGregor
    Louca Obsessão – jurava que era o Ed Harris

  3. soraia disse:

    Que horas começa a exibição do filme? =)

    Obrigada =)

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