Na essência, no âmago, no avesso, à mostra, genuíno, natural e de pureza contagiante e admirável, Forrest Gump narra sua trajetória entre transformações da sociedade norte-americana e uma vida simples, ou que deveria ser simples.
Por um caminho no interior do Alabama, Forrest se liberta e corre, corre muito.
Esse não é um filme qualquer, ele é primoroso em todos os seus detalhes.
Logo no início nosso personagem está sentado em um banco de praça, esperando um ônibus. Não se sabe por que ele está lá, mas isso não importa. Ali, Forrest conta sua história, estranha, diversa e inacreditável de tão verdadeira.
Até porque, veja bem, não é fácil acreditar que uma pessoa tenha conseguido virar o que Forrest virou. E ele era considerado um idiota (‘stupid is as stupid does’), o que torna tudo ainda mais irreal. Numa montagem caprichada, repleta de seqüência clássicas e encontros históricos. Nixon, Kennedy, Lennon, Elvis Presley, Martin Luther King, a criação da Apple, o Vietnã e um anti-herói, a intromissão de Forrest nestes momentos da história norte-americana são impagáveis. E como ele conseguiu? Como foi parar lá e por quê?
A pureza de espírito e o amor inabalável pelas pessoas tornam Forrest Gump um personagem tão especial e extremamente bem construído. Ele enxerga o mundo com uma simplicidade desconcertante, pois ele não vê malícia e age apenas de acordo com impulsos mais básicos, físicos e emocionais, e acaba por contagiar a todos com sua inocência. Um anti-herói clássico, impossível de não ser admirado. A ingenuidade e inocência, sua visão delicada e especial da vida, fazem dele alguém que pode ser diferente. Difícil é acreditar que ele não existiu.
Forrest está onde todos deveriam permanecer. E é assim, simplesmente assim, que ele vai ficar. Lá, apenas esperando algo acontecer. E acontece. Sempre acontece, porque ‘talvez apenas flutuemos, sem rumo na brisa.’
*Juliana Perrella Longo escreveu este texto. Trata-se do programa distribuído durante exibição de “Forrest Gump – O contador de histórias”, no dia 25 de outubro de 2011.
Escrito por clubedecinemautfpr
Ao receber o Oscar de melhor ator por Forrest Gump, Tom Hanks igualou a marca de Spencer Tracy, que até então era o único ator a ter ganho o Oscar por dois anos consecutivos.